ATENÇÃO: Blog sem vínculos institucionais! Instrumento particular do Professor.

DESTAQUES DO BLOG:

Presença Educativa => Abertura, reciprocidade e compromisso: pilares da Pedagogia da Presença, o resgate do relacionamento humano.

Sobrevivência Docente => Breve histórico da decadência de nossa profissão e algumas dicas para sobreviver - leia o texto inteiro, antes de mais nada.

Bullying => Sugestões de links para tratar desse assunto de forma séria e urgente. Não pode-se ignorar, nem deixar para depois.

Projeto particular PAZ EDUCA (pazeduca.pro.br): O que é || Site || Partes

13 junho, 2010

Comunidade Viva - Festa Junina no CEU Jaguare

FESTA JUNINA NO CEU JAGUARÉ
Para qualquer pessoa pode parecer mais uma das diversas festas juninas que ocorrem pelo bairro. Mas para quem participou o significado pode ser outro, mesmo que não se dê conta em um primeiro momento.
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Comentei com meus alunos ao longo da semana que essa festa junina é um marco em nossas vidas, uma vez é rara a oportunidade de se estar presente a primeira festa junina de uma escola. A princípio não se tem uma noção clara disso, mas com o passar dos anos poderemos lembrar de que participamos dessa primeira festa da escola. Basta perguntar para os mais adiantados em idade se tiveram oportunidade de inaugurar e participar das primeiras atividades da escola na qual estudaram.
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Por ser primeira festa e, por ocorrer em mesma data de outras no bairro, a presença do público foi significativa. Fiz questão de chegar bem antes do meu horário de trabalho para ter a oportunidade de filmar, fotografar e interagir com as pessoas (tudo devidamente autorizado por meus superiores hierárquicos). Vi muita alegria e tranquilidade em todos os rostos. Parei para conversar com muita gente conhecida:  desde alunos, ex alunos e respectivos familiares até mesmo com um senhor da melhor idade que me contou detalhes dos prédios industriais do entorno. E repito: em todos os rostos via-se claramente tranquilidade e alegria.
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Por meio desses contatos pessoais informais é que me dei conta daquilo que falei sobre o marco histórico. Ao coletar imagens me dei conta de que todos ali naquele ambiente estavam participado na escrita da história desse importante equipamento.
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Mesmo que alguns números de danças estivessem quase comprometidos pelo não comparecimento de muitos que tinham ensaiado anteriormente, nada apagou o brilho desse primeira festa. Vibrei muito com a apresentação de meus alunos, mas também com todas as apresentações do restante da escola. Fiquei petrificado e emocionado com as apresentações dos pequenos das outras duas escolas que formam o CEU (a Emei e o Cei), bem como com a plateia ali presente (em sua maioria, formada por pais, mães e avós corujas).
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Acredito que o pontapé inicial de intercâmbio com a comunidade do entorno foi dado - e muito bem dado. Precisamos agora manter essa bola em nossos pés a fim de marcarmos um brilhante gol na medida em que a comunidade perceba que estamos trabalhando com eles, e não para eles - nesse momento muitas das dificuldades que encontramos desaparecerão.
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Enfim, sinto-me orgulhoso e muito emocionado por estar presente nesse momento impar de nossa história. Sinto-me principalmente na responsabilidade de colaborar com esse gol que citei acima.
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Meus agradecimentos a todos que estiveram envolvidos com tudo isso. Especialmente agradeço a Professora Telma, minha estimada amiga aposentada, que não mediu esforços em seu trabalho voluntário de ensaiar vários de nossos alunos. Somente Deus é capaz de pagar devidamente a todos os que contribuíram para acender os sorrisos de nossas crianças.
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Abraços fraternais a todos!
João César
junho de 2010.

07 junho, 2010

Stop Estupidez


STOP ESTUPIDEZ
Elias Muniz



Às vezes eu fico pensando
O que será da gente
Nas mãos desses homens
Que nem parecem gente
Êta mundo velho
Mundo complicado

 
Preferem apostar nas guerras
Parece doença
Tá sobrando ódio
Falta consciência
Êta mundo louco
Mundo atrapalhado

 
Quantos bilhões que são desperdiçados
Destruindo tantas vidas inocentes
Em vez de usá-los no combate ao câncer
No combate à fome de tanta gente
Eu me pergunto o que será que falta
Pro homem acordar de vez
O amor grita
Stop estupidez

 
Paz, precisamos de paz
O mundo está carente de paz
E mais humanidade
Luz, precisamos de luz
O mundo está sedento de luz
E solidariedade
Stop estupidez
Chega de maldade.

Interpretação: Grupo ir ao povo

03 junho, 2010

PROFESSOR - UMA ESPECIE EM EXTINÇÃO



PROFESSOR - UMA ESPÉCIE EM EXTINÇÃO

 Por Verônica Dutenkefer (20/06/2009)


Esse texto que escrevo precisamente agora é mais um desabafo.

Desabafo de uma profissional que está lecionando há mais de 22 anos e que não sabe se sobreviverá por mais dez anos,  que é o tempo que ainda precisarei trabalhar (por mais que ame muito o que faço).

Trago muitas perguntas que não querem calar. E talvez a mais inquietante é: O que será necessário acontecer para se fazer uma reforma educacional neste país?

Constantemente ouço ou leio reportagens com as autoridades educacionais proclamarem a má formação de seus professores. Culpando as universidades, a falta de cursos de formação e culpando-nos evidentemente.

Se a educação neste país não vai bem só existe um culpado: o professor.

E aí vem meus questionamentos:

Como um professor de escola pública pode fazer o seu trabalho se ele precisa ficar constantemente parando sua aula para separar a briga entre os alunos, socorrer seu aluno que foi ferido por outro aluno, planejar várias aulas para se trabalhar os bons hábitos na tentativa vã de se formar cidadãos mais conscientes e de melhor caráter?

Nos cursos de formação nos é passado constantemente a recusa de um programa tradicional e conteudista, mas nossas avaliações de desempenho das escolas, nossos vestibulares e concursos públicos ainda são tradicionais e  nos cobra o conteúdo de cada disciplina.

Como pode num país....num estado...num município haver regras tão diferentes entre a rede particular e pública?

Na rede particular as escolas continuam conteudistas, há a seriação com reprovação, a escola pode suspender ou até mesmo expulsar um aluno que não esteja respeitando as regras daquela instituição.

A rede pública vive mudando o enfoque pedagógico (de acordo com o partido que ganhou as eleições), é cobrado cada vez menos do aluno, não se pode fazer absolutamente nada com um aluno indisciplinado que até mesmo coloca em risco a segurança de outros alunos e funcionários daquela instituição.

Dia a dia...minuto a minuto... os professores são alvos de agressões verbais e até mesmo física pelos alunos. A cada dia somos submetidos a níveis de stress insuportáveis para um ser humano.

Temos que dar conta do conteúdo a ser ensinado + sermos responsáveis pela segurança física de nossos alunos + sermos médicos + enfermeiros + psicólogos + assistentes sociais + dentistas + psiquiatras + mãe + pai ......

E quando ameaçados de morte e recorremos a uma delegacia pra fazer um boletim de ocorrência ouvimos: "Isto não vai adiantar nada!"

Meus bons alunos presenciam o mal aluno fazendo tudo o que não pode ser feito e não acontecendo nada com ele. É o exemplo da impunidade desde a infância.

Meus bons alunos presenciam que o aluno que não fez absolutamente nada durante o ano, passou de ano como ele, que se esforçou e foi responsável.

Houve um ano que eu tinha um aluno que era muito bom. E ele começou a faltar muito e ir mal na escola. Os colegas diziam que ele ficava empinando pipa ao invés de ir pra escola. Um dia, tive uma conversa com ele, e perguntei o que estava acontecendo? E ele me disse: "Prá que eu vou vir prá escola se eu vou passar de ano mesmo assim?"

Então eu procurei aconselhar (como faço com meus alunos até hoje) que ele devia frequentar a escola, não para tirar notas boas nas provas ou passar de ano. Ele deveria vir a escola para aumentar seu conhecimento que é o único bem que ninguém poderá roubar.Que a escola iria ajudá-lo a aprender e trocar conhecimentos com os outros e ajudá-lo a dar uma melhor formação na vida.

Depois dessa conversa ele não faltou mais tanto...mas nunca mais voltou a ser o excelente aluno que era.

Qual a motivação de ser bom aluno hoje em dia?

Seus ídolos são jogadores de futebol que não falam o português corretamente e que não hesitam em agredir seus colegas jogadores e até mesmo os árbitros. Ensinando que não é necessário haver respeito as autoridades e aos outros.

Ou são dançarinas que mostram seu corpo rebolando na televisão e pousando nuas para ganhar dinheiro.

 Para quê eu me matar de estudar se há tantas profissões que não são valorizadas e nem respeitadas?

Conheci (e ainda conheço e convivo) ao longo de minha carreira na escola pública, inúmeros profissionais maravilhosos. Pessoas que amam a sua profissão, que se preocupam com seus alunos, que fazem trabalhos excepcionais. Que possuem um conhecimento e formação excelentes, mas que estão desgastados e quase arrasados diante da atual situação educacional.

Li a poucos dias num artigo que os cursos de filosofia, matemática, química, biologia e outros,  todos ligados a área de magistério, não estão tendo procura nas universidades.

Lógico!Quem é que quer ser professor?

Quem é que quer entrar numa carreira que está sendo extinta, não só pela total desvalorização e desrespeito, mas também pela falta de segurança que estamos enfrentando nas escolas.

Fiquei indignada com uma reportagem na TV (que aliás adora fazer reportagens sensacionalistas colocando o professor sempre como vilão da história) em que relatava que numa escola um aluno ameaçava os outros com um revólver e num determinado momento o repórter perguntou:"Onde estava o professor que não viu isso??!!"

E agora eu pergunto: "O que se espera de um professor (ou de qualquer ser humano), que se faça com uma arma apontada pra você ou pra outro ser humano??? Ah...já sei...o professor deveria enfrentar as balas do revólver!!!! Claro!!! As universidades e os cursos de aperfeiçoamento de professores não estão nos ensinando isso.

Vocês tem conhecimento de como os professores de nosso país estão adoecendo????

Vocês sabem o que é enfrentar o stress que a violência moral e física tem nos submetido dia a dia?

Você sabe o que é ouvir de um pai frases assim:

"Meu filho mentiu, mas ele é apenas uma criança!"

"Eu não sei mais o que fazer com o meu filho!"

"Você está passando muita lição para meu filho, e ele é apenas uma criança!"

"Ele agrediu o coleguinha, mas não foi ele quem começou."

"Meu filho destruiu a escola, mas não fez isso sozinho!"

Classes super lotadas, falta de material pedagógico, espaço físico destruído, violência, desperdício de merenda, desperdício de material escolar que eles recebem e, muitas vezes, não valorizam (afinal eles não precisam fazer absolutamente nada para merecê-los), brigas por causa do "Leve-leite" (o aluno não pode faltar muito, não por que isso prejudica sua aprendizagem, mas porque senão ele não leva o leite.)

Regras educacionais dissonantes de acordo com a classe social dos alunos.

Impunidade.

Mas a educação não vai bem, por causa do professor.

Encerro esse desabafo com essa pergunta que li a poucos dias:

Essa pergunta foi a vencedora em um congresso sobre vida sustentável.
"Todo mundo  pensando em deixar um planeta melhor para nossos  filhos...  Quando é que pensarão em deixar filhos melhores para o nosso planeta?"



(20/06/2009)


Fonte: http://somostodosum.ig.com.br/clube/artigos.asp?id=22267

22 maio, 2010

Sobrevivencia Docente

BREVE GUIA DE SOBREVIVÊNCIA DOCENTE

Importante: leia o texto até o fim, sobretudo o item 7, antes de qualquer providência. Ele partiu de minha experiência prática e comigo tem dado certo. Isso não garante que dê certo sempre, por isso adapte à sua realidade e personalidade. Sobretudo, reflita sobre as razões históricas apontadas no começo do texto! Boa sorte. Atalho deste texto: bit.ly/sobrevidadocente


Diariamente nós professores nos sujeitamos a situações complicadas e perigosas. Devemos saber que nem sempre foi assim. Aprofundando a História da Educação no Brasil é possível verificar que tínhamos direitos semelhantes a membros do Poder Judiciário. Mas, ao longo do tempo, fomos abrindo mão gradual desses direitos, sem nos darmos conta. Tudo em nome de um suposto "sacerdócio" da profissão (professor é um missionário, por isso deve se contentar-se com situações diversas) e de uma pseudo maternidade transferida para a profissão (professor é tio/tia, irmão/irmã da mãe e, por isso, membro da família, não mais um profissional da Educação). 

As consequências foram fatais: 

1) Por parte do Poder Público somos vistos como alguém que aceita tudo, que não questiona e não se mobiliza enquanto categoria; como somos "incapazes" (segundo resultados das provas institucionais) precisamos seguir uma "bíblia", um guia criado pelos tecnicamente capazes (seguindo à risca esses manuais, poderemos ser recompensados por gratificações monetárias); como somos sacerdotes e membros das famílias dos alunos (somos tios e tias) não podemos adoecer e não podemos ter família (ao menos, nossos familiares também não podem adoecer), temos que sempre estar trabalhando (se o fizermos, as chances de recebermos recompensas monetárias aumentam).

2) Por parte de grande número das Famílias dos alunos somos vistos como alguém que deva fazer tudo o que as famílias outrora faziam e agora não mais o fazem (salvo exceções). Ou seja, a família terceirizou a nós (sem a devida remuneração que nos caberia) seu papel educativo, ficando apenas com o papel reprodutivo (claro que existem exceções, não podemos generalizar).

3) Por parte da grande imprensa comercial (fiel escudeira e sustentadora do pensamento de quem detém o poder na sociedade) somos vistos como aqueles que devem apenas cumprir deveres, apenas cuidar da prole alheia. E ai de nós se um membro dessa prole vem a falecer em nossas mãos: somos bandidos e cruéis assassinos de crianças! Ai de nós se ficamos doentes ou nos acidentamos e não pudermos mais cuidar da prole terceirizada: somos incapazes e desqualificados, devemos ser remunerados e gratificados apenas se formos capazes de cumprir com o papel cobrado de nós (ignorando as condições reais de trabalho). Para essa imprensa, é "normal" o aluno encostar a mão no professor (para agredir ou constranger) , mas o professor encostar a mão no aluno (para separar uma briga ou mesmo fazer um afago na cabeça em sinal de amizade, como nossas mães sempre fizeram), é violento ou pedófilo.

A partir de tudo isso, decidi redigir um breve manual de sobrevivência. São atitudes práticas e simples, que podem valer nossa sobrevivência, quer enquanto Educador, quer enquanto ser humano (pois até isso, o ser humano, tentam roubar de nós). Vão ai algumas dicas:

1) Somos Educadores, profissionais da Educação encarregados de educar o ser humano. Não somos médicos (para receber doentes), nem assistentes sociais (para resolver problemas das famílias), nem meros "olhadores" (para apenas olhar a prole alheia, sem dar intervenção pedagógica - tem famílias que não aceitam quando o professor corrige seu filho), muito menos policiais (para separar brigas). Portanto, somos responsáveis somente pelo desenvolvimento cognitivo, corporal e social de nossos alunos. Não permitamos que problemas externos invadam nossas aulas, nem esvaziem nossa função docente! Tente pedir para que um médico ou um advogado faça alguma função que não seja de sua profissão... não farão! Por que nós fazemos?!? (não quero dizer que não devamos ter um olhar humano sobre nossos alunos, acolhendo seu universo e sua vivência; só quero dizer que não devemos nos influenciar e esvaziarmos de nossa função!!!!)

2) Nós fazemos compras na classe, arrumamos a casa e cuidamos de nossas famílias na classe? Então por que levamos coisas da escola para fazermos em casa?!? Essa clareza de definição de lugares e funções é essencial para nossa sanidade mental. Somos (ou estamos) professores dentro de nosso local de trabalho; em outros locais somos e estamos de acordo com o que estivermos fazendo. Em alguns sistemas de ensino, como na Prefeitura de São Paulo, os professores são remunerados por três aulas semanais para elaborar suas aulas em local de livre escolha. E eu escolhi ler um livro que possa ser usado em sala de aula, assistir um filme ou peça teatral com a mesma finalidade, ou mesmo cumprir essas horas na escola, antecedendo meu horário de trabalho e tentado barrar problemas externos às aulas já na porta da escola através de um  franco diálogo com os alunos que vão chegando e apresentando seus problemas. Mas cada um fica livre para usar essas horas, sem invadir sua privacidade e de sua família!

3) Não somos estátuas, nem sacos vazios; temos uma alma. Independente de crenças ou descrenças, devemos ter uma espiritualidade para nos deixar firmes quando os problemas tentarem nos derrubar. Essa espiritualidade pode ser fortalecida por leituras, músicas, relaxamento, passeios ou mesmo com uma conversa gostosa com os amigos. Não se iluda, sem cultivar esse lado místico você ou cai no buraco (e arrasta junto quem está por perto, sua família) ou você se enfia em coisas piores. Não permita que roubem sua alma, sua personalidade, sua liberdade, sua privacidade!

4) Já reparou como vários alunos entram na classe com celulares (por mais proibidos que sejam)? Alguns podem usar para gravar nossa aulas (mesmo que não percebemos, eles podem fazer isso apenas por fazer, mas também para criar embaraços a nós). Antecipe-se e deixe claro que todos os envolvidos na aula têm direito a privacidade e nenhuma imagem de ninguém poderá ser publicada em nenhum lugar (pode ser apenas para álbum pessoal de recordação). Essa conversa de uso da imagem cai por terra em nossa sociedade informatizada, pois em todos os locais públicos estamos sendo filmados. O que não se pode é divulgar e publicar essas imagens. Por isso, caso você sentir-se ameaçado por alguém GRAVE SUAS AULAS SIM, COMO RECURSO DE LEGITIMA DEFESA. Você só não pode dar publicidade a essas gravações jamais; elas servirão para que você se defenda se alguém te acusar de algo que não fez, são de seu arquivo pessoal e intransferível (da mesma forma que imagens captadas por alunos: são do arquivo pessoal deles e não poderão ser divulgadas jamais).

5) Em nenhuma circunstância toque em alunos, mesmo para separar brigas, pois suas digitais ficarão neles e isso pode te comprometer em um exame de corpo delito ou mesmo em um depoimento forjado no qual você poderá ser incriminado por causar ferimentos no ato de segurar em alguém (o aluno tentará se libertar de você e se ferirá em seu relógio de pulso, por exemplo). Abra a porta da classe busque por socorro. Oriente para que outros alunos não tentem separar, pois quanto mais gente no tumulto, pior fica. Nunca tente resolver uma situação agressiva no momento, deixe que tudo se acalme para depois chamar as partes envolvidas. IMPORTANTE: FAÇA UM RELATÓRIO ESCRITO DE TUDO, isso poderá te ajudar futuramente.

6) Se for agredido ou ameaçado em seu local e momento de trabalho não tenha dúvida: registre um boletim de ocorrência no distrito policial mais próximo. Se alguém te acusar de ter posto a mão em algum aluno, peça exame de corpo delito e deixe claro que você poderá reverter a situação processando a pessoa por calúnia e difamação se nada ficar provado contra você. NÃO PERCA TEMPO COM DISCUSSÕES, AJA IMEDIATAMENTE!

7) A mais importante: por mais complicada que seja a comunidade atendida pela escola, tente aproximar-se dela. Esta dica é vital e poderá evitar que você tenha que tomar as atitudes postas no item anterior. Se a comunidade sentir você a seu lado, grande parte de seus problemas em classe desaparecerão. Mas a atitude deve partir não somente de você, mas de um grupo de professores. Muitas vezes estar na porta da escola e cumprimentar serenamente uma mãe ou mesmo um aluno pode desmontar todo um esquema de violência simbólica que esteja se formando no lugar. Não tenha dúvida, eu coloquei isso em prática muitas vezes, com resultados satisfatórios (é se antecipar e não permitir que problemas externos invadam sua aula).

Enfim, nossa profissão também tem coisas belas. Tente descobri-las, peça ajuda a alguém nesse sentido. Mesmo naquele aluno mais complicado pode-se descobrir coisas belas e trabalhar com elas. É uma questão de tempo.

Abraços fraternais.
João Cesar.


13 março, 2010

Alerta aos Educadores Paulistanos

Há pelo menos quatro anos há indícios muito fortes de uma terceirização/privatização do ensino municipal. Quando eu comentava, na ocasião, com alguns colegas, muitos duvidavam. Mas agora o negócio começa a "pegar forma".

Há décadas existem convênios com entidades particulares, sobretudo na questão dos CEIs (antigas creches): é mais fácil firmar convênios desse tipo do que fazer crescer a rede; é mais fácil colocar o dinheiro na mão das entidades, para elas se virarem, do que a própria administração fazer aquilo que é seu dever constitucional: prover as necessidades educativas da população, e de forma direta (com seus equipamentos e seus recursos humanos, não os de terceiros).

Em 2006, por ocasião do Programa "São Paulo é uma escola", ao ampliar-se o tempo de permanência dos alunos dentro da escola (cumprindo a tal ampliação colocada pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), criou-se em São Paulo a figura do oficineiro e das ONGs na Educação: as sextas aulas eram administradas por pessoas ligadas a entidades pagas pelo dinheiro público. Viu-se a criação de muitas ONGs para essa finalidade.

Claro que existem as ONGs sérias. Mas aflorou-se muitas com atitudes duvidosas. Por exemplo: juntar duas ou mais classes em uma única sala de aula e trabalhar capoeira, para ganhar por três turmas ao mesmo tempo. Nesse exemplo, obviamente, a qualidade do trabalho é nitidamente questionável pelos resultados obtidos: alunos machucados por trabalharem em espaço não compatível com a prática - e sobrava para os professores dessas turmas justificarem o injustificável para as mães que lhes reclamavam (quando não ameaçavam).

Paralelamente a isso, sempre existiram entidades ligadas a bancos e emissoras televisivas que se propuseram a fazer "trabalhos voluntários" dentro das escolas.  Nessas escolas o progresso não é atribuído ao trabalho docente, mas a esse trabalho terceirizado. Cria-se no inconsciente coletivo de que o público não tem qualidade, por isso o privado precisa se intrometer.

Junta-se a isso, mais recentemente, uma onda de propagandas institucionais de várias entidades e fundações mostrando seus feitos em suas instituições educativas, para alimentar ainda mais nesse inconsciente coletivo de que o privado gera soluções educacionais, o público está falido. Não cabe neste blog elencar essas entidades, mas devemos lembrar de algumas dessas propagandas, como a de uma fundação ligada a um grande banco privado, que diz possuir "a maior rede de ensino privado gratuito do Brasil";  ou de uma entidade ligada a industriários que sempre mostra sua qualidade no ensino técnico. Sem falar de uma entidade montada por um artista novelistico que sempre se coloca como "amigo" da escola (como se o docente fosse seu "inimigo" e, por isso, precisa de um "amigo" para melhorar-lhe a "qualidade").

Neste início de 2010 finalmente está se falando aos docentes sobre um "Plano Municipal de Educação". Acontece que esse plano não foi criado agora, é uma caminhada iniciada há anos, na qual o docente não foi chamado inicialmente. Sabe quem foi chamado desde o início e está contribuindo com sua "visão de educação"? Se ainda não se deu conta, volte ao início deste artigo e leia-o atentamente. Se ainda não percebeu porque há um discurso sobre as faltas dos professores e da criação de parâmetros institucionais de avaliação da rede, por favor, pare tudo agora e reflita profundamente sobre tudo o que estamos passando na rede nos últimos anos!

Agora pare um pouco e pense como o transporte coletivo vem sendo administrado aqui em São Paulo há mais de 10 anos. Não parece, mas tem tudo a ver com o que está acontecendo na Educação - e ninguém fala nada!

Veja: anteriormente tínhamos a CMTC (Companhia Municipal de Transportes Coletivos), com frota própria e que controlava a frota de ônibus das empresas privadas (exatamente como acontece na Educação: a Prefeitura tem sua rede de escolas, mas gerencia as escolas particulares).

Acontece que a CMTC "comia" muito dinheiro público e era ineficiente. Então, ao invés de sanar os problemas internos dela, optou-se por "vendê-la" a empresas particulares (estas sim, são eficientes, como no discurso velado das entidades "parceiras" da Escola). A CMTC deixou de existir enquanto empresa pública (sua frota passou para empresas particulares) e em seu lugar criou-se um órgão gerenciador do transporte coletivo, a SPTrans (São Paulo Transportes): agora não tem mais frota, gerencia a frota das empresas particulares. Ou seja: trocou-se o público pelo terceirado, exatamente como ocorrerá com a Educação!

Continuando essa comparação da Educação com os transportes: sabe o que acontece com muitas empresas de ônibus aqui em São Paulo: elas não têm mais o funcionário com registro em carteira, contrata o motorista e o cobrador como um funcionário autônomo, numa espécie de "quarteirização" - dizem que é uma forma "eficiente" de se contratar, pois os encargos sociais "pesam" muito na folha de pagamento e que o funcionário registrado tem "muitos direitos" os quais atrapalham a "eficiência da empresa". Não parece com o discurso de que as faltas abonadas dos professores prejudicam a "qualidade" da educação?

Tem mais: há escolas particulares por este mundo afora que já "quarteirizaram" seu quadro docente, exatamente como várias empresas de ônibus fizeram com seus funcionários. Agora isso tudo chegar na rede municipal paulistana é uma questão de tempo!

Agora pare mais um pouco e reflita a quem interessa esse discurso de ótimos resultados em prova disso e daquilo. Pense também naquele seu aluno portador de necessidade especial, que teve um grande desempenho em aula, mas que as provas institucionais são incapazes de avaliar. Pense no porque sua gratificação salarial está atrelada aos resultados das provas institucionais e às faltas docentes. Pense numa rede estadual que já premia seus docentes por supostos "méritos". Pense num jornalista, proprietário de uma ONG, que critica o público e enaltece o privado. E, finalmente, compare, como eu fiz, o que aconteceu na administração do transporte coletivo paulistano e no que vem acontecendo conosco e em nosso sistema de ensino.

Pense com carinho. Mas não fique só no pensar e no lamentar. Porque enquanto estivermos lamentando e queixando, alguém estará tomando decisões em nosso lugar. E quando nos dermos conta, será muito tarde, estaremos "estufados e mortos" como o sapo que aqueceu-se junto às águas de sua lagoa: reclamava, mas não tomava qualquer atitude.

Escrevo e publico este arquivo em um fim de semana, fora de meu local e horário de trabalho, para que eu possa analisar a situação à distância, sem "sofrer" com as "consequências" do aquecimento da água de "nossa lagoa".

Abraços fraternais.

João César

Em tempo: estou cumprindo o dispositivo constitucional de liberdade de expressão. E ninguém poderá sentir-se ofendido por este artigo, uma vez que não citei nomes de absolutamente ninguém. E mais: "contra fatos não há argumentos", como se diz popularmente.
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